Yussef Ali Abdouni - Doctoralia.com.br
Especialista em mãos

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A paralisia obstétrica é uma lesão que acomete o plexo braquial durante um parto mais trabalhoso. Geralmente está associada à dificuldade em desprender o ombro do bebê para fora do canal de parto. A criança acometida pela condição apresenta perda de mobilidade que pode ou não ser recuperada espontaneamente com o passar dos meses.

O que é?

Para melhor compreensão da paralisia obstétrica, é preciso saber o que é plexo braquial, afinal, essa é a estrutura afetada nesse tipo de lesão. Situado na região entre o pescoço e a axila, o plexo braquial é responsável por inervar todo o membro superior. É formado por 5 ramos nervosos anteriores que se originam na medula espinhal. Portanto, é um local muito delicado, principalmente no que se refere a um recém-nascido.

Na paralisia obstétrica, o bebê é acometido por vários graus de lesão do plexo braquial. Isso ocorre em partos mais laboriosos onde há, sobretudo, grande esforço da mãe. Um dos fatores preponderantes se diz respeito ao uso desmedido do fórceps, instrumento de auxílio para retirada do lactente. Se a criança estiver muito acima do peso, o esforço para retirá-la do canal do parto será maior. Ainda mais se o canal da mãe for estreito. Geralmente há distocia do ombro, o que dificulta ainda mais a saída do bebê.

Se o obstetra for mais inexperiente, o excesso de esforço pode ocasionar estiramento em uma ou mais raízes do plexo braquial. Algumas vezes esse tipo de lesão é mínimo, mas em muitos casos causam a avulsão (arrancamento) de importantes raízes nervosas.

Quais as causas?

Esse tipo de lesão, que pode acontecer tanto em parto cefálico quanto no pélvico, tem uma incidência relativamente baixa. Acomete cerca de dois nascimentos a cada mil.

O que todos têm em comum é o fato da dificuldade em retirar a criança do canal de parto. Nesses casos há grandes tentativas de desprendimento do ombro do recém-nascido durante as manobras obstétricas. Contudo, existem três tipos distintos de lesão do plexo braquial de acordo com o dano nervoso específico:

  • A Erb-Duchenne é a mais comum entre as paralisias. O lactente afetado pela condição apresenta paralisia no ombro e cotovelo. Porém a mobilidade dos dedos e punhos não é comprometida nesses casos.
  • Já a paralisia de Klumkpe é a lesão mais rara. Nesses casos há comprometimento nos movimentos das mãos, enquanto o ombro é preservado. Os músculos que controlam o cotovelo e o ombro nada sofrem com esse tipo de padecimento.
  • Por fim, a forma mais severa consiste na paralisia total plexo braquial. Ou seja, a perda de mobilidade se estende do ombro até a mão do bebê.

Qual o grupo de risco?

Bebês com macrossomia fetal (excesso de peso em recém-nascido a partir de 4 kg) são os grupos que mais sofrem com a paralisia obstétrica. Mães que apresentaram diabetes gestacional, ou possuem idade avançada, também podem contribuir para que o parto seja mais difícil.

Sintomas

Frequentemente é a mãe, ainda no berçário, que interpela o médico sobre uma suposta fraqueza no braço da criança. 

O principal sintoma associado a esse tipo específico de paralisia é apresentar um membro do corpo parcial ou totalmente imóvel. Algumas vezes o bebê poderá apresentar o cotovelo ininterruptamente estendido e flacidez. 

A criança também pode manifestar dores ao realizar movimentos passivos. Isso ocorre em decorrência de uma eventual fratura da clavícula associada.

Diagnóstico

Mediante a constatação desses sinais, o médico responsável observa se há uma perda do tônus muscular normal do paciente no membro afetado ou ausência de reflexos como o de preensão.

Como o diagnóstico é eminentemente clínico, são realizadas avaliações neurológicas detalhadas, onde o especialista em cirurgia da mão observa a sensibilidade e a mobilidade correspondente a cada raiz nervosa, para precisar o prognóstico da lesão. Exames, como a ressonância magnética ou a eletroneuromiografia raramente são indicados.

Tratamento

Nos casos de paralisia tipo Erb-Duchenne, a recuperação da mobilidade do lactante se dá de forma espontânea em 80 a 90% das vezes. Nos primeiros meses a criança já está plenamente recuperada da paralisia. São prescritos uma série de exercícios fisioterapêuticos, para se evitar deformidades e promover melhorias na mobilidade. Inclusive, esse tipo de tratamento é de suma importância para o lactante, já que contribui significativamente para a plena funcionalidade e desenvolvimento motor.  

Se depois de 6 meses não houver sinais de reinervação precisará de intervenção cirúrgica para reconstrução microcirúrgica do plexo braquial. Já nas paralisias tipo Klumpke ou totais ou ainda nas situações em que há evidências de avulsão das raízes nervosas, a recuperação espontânea não acontece de forma tão favorável, sendo a cirurgia indicada com maior frequência.

Nos casos tardios (acima de um ano e meio, sem recuperação da mobilidade) já consideramos que há sequela. Nesses casos, a operação poderá compreender procedimentos ósseos ou transferências musculares para tentar melhorar o aspecto do membro. Por isso, é fundamental procurar o especialista em cirurgia da mão logo que o diagnóstico seja suspeitado.

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